Pular para o conteúdo
Menu
Escolher idiomapt

Entre para salvar seu progresso

Com uma conta, seu progresso fica disponível em todos os seus dispositivos. Sem conta, tudo funciona do mesmo jeito, mas só neste dispositivo.

Como digitar mais rápido: o que dizem as pesquisas

Para digitar mais rápido, não basta mexer os dedos com mais pressa. As pesquisas apontam para outros fatores: errar menos, manter um dedo fixo para cada tecla, antecipar os próximos toques e treinar, por pouco tempo, acima do ritmo habitual. Este artigo resume o que esses estudos mostram e o que continua sem resposta.

O que um teste com 168.000 pessoas revelou

Dhakal e colegas analisaram um teste de digitação online feito por cerca de 168.000 voluntários (168.960, para ser exato). A média foi de 51,56 palavras por minuto (PPM), o equivalente a uns 258 toques por minuto, já que cinco toques valem uma palavra. A taxa de erros não corrigidos ficou em 1,167%, ou seja, pouco mais de um erro a cada cem caracteres.

Esses números servem de referência, não de régua. A amostra não foi sorteada: participou quem quis, em sua maioria gente jovem dos Estados Unidos. É provável que muitos já digitassem com frequência antes do teste. Por isso, a comparação que mais ajuda é com a sua própria média, exercício após exercício.

Errar menos acelera

Uma conclusão do mesmo estudo chama atenção: reduzir um pouco os erros pode trazer um grande ganho de velocidade. Faz sentido. Cada correção custa toques extras com a tecla Backspace e quebra o ritmo da frase.

Nessa linha, o typando só abre a próxima lição depois que você conclui a atual com 97% de precisão ou mais. Durante o exercício, os erros aparecem em vermelho, sem som e sem interrupção. No resultado, você vê separadamente os erros corrigidos e os não corrigidos, além das teclas mais difíceis.

Uma pergunta continua em aberto: nenhum experimento de treino testou diretamente se é melhor buscar primeiro a precisão e só depois a velocidade. Os dados sobre erros, porém, falam a favor de manter a precisão alta. Quando ela cair abaixo de 97%, reduza o ritmo até recuperá-la.

Rollover: a próxima tecla antes de soltar a anterior

Rollover é pressionar a tecla seguinte antes de soltar a anterior. Por um instante, os dois toques se sobrepõem, em vez de acontecerem um de cada vez. No estudo de Dhakal e colegas, esse hábito teve forte relação com a velocidade (r = 0,73).

É uma correlação. Ela não prova que forçar o rollover deixa alguém mais rápido; ele pode simplesmente surgir com a prática. Em vez de provocá-lo de propósito, pratique palavras frequentes até que saiam em um movimento contínuo. Em palavras que alternam as mãos, como «tudo» e «quando», dá para sentir a sobreposição: o dedo seguinte já desce enquanto o anterior sobe. A fase 2 do typando tem unidades de alternância das mãos com palavras desse tipo.

Como digitadores rápidos usam as mãos

Feit, Weir e Oulasvirta compararam pessoas que fizeram curso de digitação com os dez dedos e pessoas que aprenderam sozinhas. Não houve diferença de velocidade: 57,8 PPM no primeiro grupo e 58,9 PPM no segundo. O que fazia diferença eram estratégias de movimento, como a relação fixa entre tecla e dedo e o pouco movimento da mão inteira.

Outra dessas estratégias era a preparação ativa dos próximos toques. Na prática, o olhar vai um pouco à frente: enquanto os dedos terminam uma palavra, você já lê a seguinte. Treine isso de propósito em frases longas, sem parar a cada palavra.

A digitação com os dez dedos é um caminho confiável para chegar a essas estratégias, embora não seja o único. A relação fixa entre tecla e dedo começa na fileira central, e é por ela que vale começar.

Treinar um pouco acima do seu ritmo

A prática deliberada, como Ericsson a descreve, exige sair da zona de conforto. Na digitação, isso significa digitar, de propósito, mais rápido do que o normal: em geral, de 10% a 20% acima da velocidade habitual. Com uma média de 40 PPM, isso significa trechos entre 44 e 48 PPM. Esse esforço exige concentração total, por isso só funciona em doses curtas.

Keith e Ericsson estudaram digitadores do dia a dia e encontraram um padrão coerente com essa ideia. Ter feito um curso de digitação e, além disso, buscar conscientemente digitar mais rápido esteve bem mais associado à velocidade (β = 0,73) do que o curso sozinho (β = 0,15). Como não foi um experimento, o resultado mostra uma associação, não uma causa.

Quando a velocidade empaca por semanas, fala-se em platô. Não é motivo para desistir. Nessa hora, vale experimentar sprints curtos: um ou dois minutos um pouco acima do seu ritmo, seguidos de um trecho no ritmo normal para firmar a precisão. Essa divisão é uma sugestão nossa, não uma receita testada.

No typando, a fase 2 traz uma meta de velocidade pessoal: a média dos seus últimos cinco exercícios mais 5%, avaliada só depois da precisão. Com a mesma média de 40 PPM, a meta seria de 42 PPM. É um passo menor do que o descrito por Ericsson, pensado para subir sem perder os 97%. Na fase 3 entram os sprints de velocidade: seis trechos de 30 segundos, de 10% a 20% acima do seu ritmo confortável, em que basta ter 90% de precisão.

Se você ainda está nas primeiras semanas, tenha paciência: a velocidade de antes costuma reaparecer entre um e três meses depois, como explica o artigo quanto tempo leva para aprender digitação. E acelerar não significa bater com mais força nas teclas; os ajustes de mesa e teclado estão em ergonomia na digitação.

A meta de velocidade da fase 2 do treino parte da sua própria média; a ordem completa das etapas está na lista de lições.

Perguntas frequentes

Devo acompanhar a velocidade enquanto digito?
Não é necessário. No typando, a velocidade só aparece no resultado, depois do exercício; enquanto você digita, vê apenas o progresso no texto. Assim a atenção fica nas palavras e na precisão, e o número vira informação para a próxima tentativa. Na fase 2, ele entra no cálculo da sua meta de velocidade.
Quanto tempo por dia devo treinar velocidade?
Pouco. Segundo Ericsson, a concentração que a prática deliberada exige só se sustenta por uns 15 a 30 minutos por dia. Reserve para os trechos mais rápidos uma parte curta da sessão e use o restante para digitar com calma e precisão.
Por que minha velocidade parou de subir?
Platôs são comuns quando a prática vira rotina e deixa de desafiar. Duas mudanças costumam ajudar: trechos curtos um pouco acima do seu ritmo normal e atenção às teclas em que você mais erra, sempre dentro de palavras. Se a precisão cair nesse processo, volte um passo antes de acelerar de novo.
Como a velocidade de digitação é medida?
A medida mais comum é palavras por minuto (PPM), em que cada cinco toques contam como uma palavra, com os espaços incluídos. A velocidade líquida desconta os erros que ficaram sem correção, por isso mostra melhor o texto que saiu certo. No typando, ela aparece no resultado de cada exercício, junto com a precisão e os toques por minuto.

Fontes

  1. Dhakal, V., Feit, A. M., Kristensson, P. O., & Oulasvirta, A. (2018). Observations on typing from 136 million keystrokes. Proceedings of the CHI Conference on Human Factors in Computing Systems. doi.org/10.1145/3173574.3174220
  2. Feit, A. M., Weir, D., & Oulasvirta, A. (2016). How we type: Movement strategies and performance in everyday typing. Proceedings of the CHI Conference on Human Factors in Computing Systems, 4262–4273. doi.org/10.1145/2858036.2858233
  3. Ericsson, K. A. (2006). The influence of experience and deliberate practice on the development of superior expert performance. In K. A. Ericsson, N. Charness, P. J. Feltovich & R. R. Hoffman (Eds.), The Cambridge Handbook of Expertise and Expert Performance (pp. 683–703). Cambridge University Press. doi.org/10.1017/CBO9780511816796.038
  4. Keith, N., & Ericsson, K. A. (2007). A deliberate practice account of typing proficiency in everyday typists. Journal of Experimental Psychology: Applied, 13(3), 135–145. doi.org/10.1037/1076-898X.13.3.135

Todos os artigos